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PLP 42/23 vai ao Plenário: fim da idade mínima na aposentadoria especial.

           90% das aposentadorias especiais saem só por judicial; PLP 42/23 muda isso.   —   Foto/ Câmara dos Deputados.
 
PLP 42/23 vai ao Plenário: fim da idade mínima na aposentadoria especial.
Publicado no JASB em 16.agosto.2026. Atualizado em 17.agosto.2026.

Canal da EnfermagemTrabalhadores defendem aprovação de projeto que muda regras da Aposentadoria Especial. Proposta elimina idade mínima e muda cálculo do benefício para quem trabalha exposto a agentes nocivos, conforme notícia publicada na Agência Câmara de Notícias.
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PLP 42/23 vai ao Plenário: fim da idade mínima na aposentadoria especial

A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (12), pedido de urgência para a votação direta no Plenário do Projeto de Lei Complementar 42/23, que propõe mudanças nas regras da aposentadoria especial para trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde. O tema foi debatido em seminário realizado pelas Comissões de Trabalho e de Finanças e Tributação, com participação de representantes de trabalhadores, especialistas e parlamentares.

O que o projeto propõe eliminar da Reforma da Previdência

O PLP 42/23 propõe eliminar três pontos inseridos pela Reforma da Previdência de 2019: a idade mínima para a concessão da aposentadoria especial; a redução do valor inicial do benefício conforme o tempo de contribuição; e a impossibilidade de considerar de forma diferenciada o tempo de trabalho especial em outra modalidade de aposentadoria
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Vale registrar que, ainda neste ano, o Supremo Tribunal Federal já havia eliminado a exigência de idade mínima para a aposentadoria especial. Com a decisão do STF, permanece a exigência de até 25 anos de contribuição, conforme o caso — e é exatamente aí que o PLP 42/23 intervém de forma mais relevante.

O argumento que mais mobilizou o seminário: e quem não chega aos 25 anos?

A advogada Thais Riedel resumiu o problema central: 
"Não podemos ter uma regra de tudo ou nada. Se o trabalhador não completar os 25 anos, seu tempo de trabalho especial não pode ser desconsiderado. Imagine um trabalhador de uma metalúrgica que trabalhe por 24 anos e seja demitido. Seria como se esses 24 anos não tivessem existido, apesar dos prejuízos que esse trabalho já causou à sua saúde." 
           Thais Riedel defendeu o trecho do projeto que amplia as categorias com direito à aposentadoria especial - Foto/ Câmara dos Deputados.

O projeto garante que o tempo de trabalho em condições especiais seja computado de forma diferenciada mesmo que o trabalhador não atinja o tempo mínimo exigido para a aposentadoria especial.
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A tese da exposição permanente — e o que ela muda para ACS e ACE

A pesquisadora Mariana Bretas ampliou o debate: 
"O enfermeiro pode laborar durante 20 anos e nunca contrair HIV. Um vigilante ou outro trabalhador do setor penoso ou periculoso, por sua vez, pode trabalhar durante 20 anos sob exposição permanente e nunca sofrer um tiro. Mesmo assim, ambos passaram 20 anos da sua vida sob exposição permanente." 
O argumento se aplica diretamente aos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias: profissionais que visitam domicílios com casos ativos de tuberculose, dengue e hanseníase podem nunca adoecer — mas passaram anos inteiros expostos a condições de risco que a própria ciência reconhece como nocivas à saúde.

O STF já agiu — e o Congresso precisa regulamentar

Thais Riedel também apontou que mais de 90% das aposentadorias especiais são obtidas somente por decisão judicial. O dado expõe um colapso do sistema administrativo previdenciário: o direito existe em lei, mas a burocracia do INSS força o trabalhador a recorrer à Justiça para exercê-lo. 
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O PLP 42/23 busca criar um caminho administrativo mais acessível, com a possibilidade de comprovar o trabalho especial antes de atingir o tempo necessário para a aposentadoria.

A resistência fiscal — e o apelo à mobilização

A Consultoria de Orçamento da Câmara emitiu parecer contrário ao projeto por falta de demonstrativo de impacto financeiro e indicação das fontes de custeio. 
           Erika Kokay apresentou parecer favorável à proposta - Foto/Câmara dos Deputados.

A deputada Erika Kokay (DF), relatora favorável ao projeto na Comissão de Finanças e Tributação, reconheceu as resistências e pediu mobilização dos trabalhadores para a aprovação da proposta. A deputada Geovania de Sá (SC) resumiu a posição dos apoiadores
"O que nós queremos é só a correção da injustiça: aqueles expostos aos agentes nocivos que antes da reforma da previdência tinham suas aposentadorias especiais — a gente quer essa revisão de maneira urgente no Plenário."
O que está em jogo para quem trabalha exposto a riscos todos os dias

O PLP 42/23 chega ao Plenário em um momento em que o debate sobre aposentadoria especial nunca esteve tão vivo no Brasil. A PEC 14/2021, já aprovada no Congresso Nacional, garante esse direito aos ACS e ACE. 
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Agora, o PLP 42/23 pode ampliar o alcance do benefício para milhões de outros trabalhadores expostos a condições nocivas — e corrigir uma distorção que a Reforma da Previdência de 2019 criou ao colocar entre a doença e o direito uma barreira administrativa que, na prática, só a Justiça consegue derrubar.


Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br. 
Edição Geral: JASB.
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