Demitida por justa causa após vídeo em hospital consegue novo emprego em 24h.
Demitida por justa causa após vídeo em hospital consegue novo emprego em 24h.
Canal da Enfermagem | Técnica de enfermagem gravou equipe da emergência em trend musical, perdeu o emprego em Goiás e já atua em nova clínica; entenda os riscos trabalhistas.
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A técnica de enfermagem Sirlany Maria foi demitida por justa causa do Hospital Municipal de Jataí, em Goiás, após gravar e publicar um vídeo nas redes sociais. O registro, feito no dia 27 de julho, mostrava a equipe de emergência ao som da música "Baile do VJ" e atingiu mais de 120 mil visualizações.
"Eu sinto que foi uma injustiça sim, de verdade, porque eu sou formada há 25 anos, desde então nunca parei de trabalhar", desabafou a profissional.
O caso reacende o debate sobre os limites do uso de celulares em ambientes hospitalares e expõe as consequências severas da demissão por justa causa para profissionais da saúde.
Entenda o que motivou a demissão da técnica de enfermagem
Segundo Sirlany, o vídeo foi gravado durante um plantão e mostrava apenas a rotina de trabalho, sem expor pacientes ou áreas de atendimento. Três dias após a publicação, ela foi chamada pela gerência de recursos humanos e informada da rescisão contratual por justa causa.
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A técnica contou que a demissão ocorreu depois que o vídeo ganhou grande repercussão e foi compartilhado por um portal regional. Ela suspeita que a exposição do caso influenciou a empresa terceirizada responsável pelo seu contrato de trabalho a tomar a decisão. O que ela não esperava era que uma simples trend musical resultasse na penalidade máxima prevista na legislação trabalhista brasileira.
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“Tinham que ter me advertido. Cheguei para trabalhar normalmente, me chamaram e já me deram demissão por justa causa. No mesmo dia em que fui demitida, gravei um depoimento e uma médica me ofereceu emprego”, ressaltou Sirlany.
Técnica de enfermagem foi demitida após gravar trend em hospital — Foto: Reprodução/Instagram de Sirlany Maria.O posicionamento do hospital e as regras do Coren-GO
O Hospital Municipal de Jataí afirmou, em nota, que "medidas disciplinares podem ser adotadas quando há comprovação de condutas incompatíveis com as normas institucionais, princípios éticos e obrigações profissionais".
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A instituição destacou que age em conformidade com a legislação vigente e os procedimentos internos, mas não comentou detalhes do caso por questões de privacidade. O Conselho Regional de Enfermagem de Goiás (Coren-GO) orienta que o Código de Ética da categoria proíbe "fazer referência a casos, situações ou fatos, e inserir imagens que possam identificar pessoas ou instituições sem prévia autorização".
A profissional, porém, afirma que nunca foi advertida por publicações anteriores. Contrariando as expectativas, a ausência de uma punição gradual pode ser o principal argumento da defesa na esfera trabalhista.
As consequências trabalhistas que todo profissional precisa conhecer
A demissão por justa causa é a penalidade mais severa prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e só pode ser aplicada em situações específicas, como ato de improbidade, incontinência de conduta ou violação de segredo profissional. Entre as consequências imediatas para o trabalhador estão:
💠 Perda total do direito ao seguro-desemprego
💠 Perda do aviso prévio indenizado ou trabalhado
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💠 Impossibilidade de sacar o saldo integral do FGTS
💠 Perda da multa rescisória de 40% sobre o FGTS
Para que a justa causa seja validada, a legislação exige que a falta seja grave o suficiente e que haja proporcionalidade entre a conduta e a penalidade. A ausência de advertências ou suspensões prévias, como no caso de Sirlany, pode ser questionada judicialmente.
O que poucos sabem é que a Justiça do Trabalho tem entendido que a gradação das penalidades é um princípio fundamental, o que significa que o empregador deve aplicar punições de forma progressiva antes de recorrer à demissão por justa causa.
O impacto na carreira e a virada em 24 horas
Sirlany, que tem 25 anos de formação e atuava há duas décadas na unidade hospitalar, classificou a demissão como uma decisão dura e desproporcional.
"Tinham que ter me advertido. Cheguei para trabalhar normalmente, me chamaram e já me deram demissão por justa causa", relatou.
No mesmo dia em que foi desligada, ela gravou um depoimento sobre o ocorrido e recebeu uma oferta de emprego de uma médica que acompanhou o caso. Atualmente, Sirlany já está trabalhando em uma clínica de estética na região. No entanto, mesmo com a nova colocação, a anotação da justa causa na carteira de trabalho pode dificultar futuras contratações em instituições de saúde.
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O alerta para profissionais da saúde e os próximos passos legais
O desligamento de Sirlany escancara o tensionamento entre a liberdade de expressão nas redes sociais e as normas rígidas do ambiente hospitalar, especialmente para profissionais da saúde.
Embora o hospital tenha respaldo legal e ético para demitir por justa causa diante da violação de normas internas, a ausência de advertência prévia e o tempo de serviço da técnica podem ser questionados na Justiça do Trabalho.
Para os profissionais da enfermagem, o episódio serve como alerta sobre os riscos do uso de redes sociais durante o trabalho, ainda que com a intenção de mostrar a rotina da categoria. O caso ainda pode render desdobramentos judiciais caso a profissional decida recorrer da decisão.
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Autor: Samuel Camêlo.
Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br.
Edição Geral: JASB.
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