Agente de saúde atacada por cão: um episódio que se repete silenciosamente em todo o país.
Mordida no braço durante visita de rotina: o ataque em Uberlândia e o perigo que nenhum protocolo ainda resolveu. — Foto: JASB.Agente de saúde atacada por cão: um episódio que se repete silenciosamente em todo o país.
WhatsApp: Grupos Estaduais | Agentes de Saúde atacada por cachorro em Uberlândia expõe risco diário enfrentado por agentes de saúde em todo o Brasil. Agentes de Combate às Endemias também é vítima dos cães.
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Uma manhã de rotina que terminou em pronto-socorro
Uma Agente Comunitária de Saúde foi atacada por um cachorro na manhã de sexta-feira (26) enquanto realizava visita domiciliar no bairro Luizote de Freitas, em Uberlândia, Minas Gerais.
O animal avançou contra a servidora em frente à residência dos tutores do cão e a mordeu no braço. Ela foi socorrida por uma testemunha que a transportou inicialmente para a Unidade de Atendimento Integrado do próprio bairro e, em seguida, transferida para a UAI Martins, onde segue sob acompanhamento médico. Segundo a Prefeitura de Uberlândia, ela passa bem.
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O animal já havia dado sinais antes do ataque
De acordo com o boletim de ocorrência, o comportamento agressivo do animal não era novidade naquela manhã. Momentos antes de atacar a Agente de Saúde, o mesmo cão havia tentado avançar contra outra pessoa que passava pela rua.
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A advertência não foi suficiente para evitar o incidente. A servidora, que cumpria sua agenda habitual de visitas, foi surpreendida sem qualquer proteção ou protocolo de segurança específico para situações com animais.
O que a prefeitura informou — e o que ainda não foi esclarecido
A Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia divulgou nota confirmando o ataque e o atendimento prestado à profissional. "A servidora recebeu atendimento médico e passa bem.
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O caso está sendo acompanhado pela pasta, que presta todo o suporte necessário à profissional", informou a pasta. A Polícia Militar foi acionada, mas a ocorrência foi dispensada sem necessidade de intervenção no local. Até o fechamento desta reportagem, não havia qualquer informação sobre o recolhimento do animal ou medidas adotadas em relação aos tutores do cão.
Uberlândia não é exceção — é o retrato de um problema nacional
O que aconteceu no Luizote de Freitas na sexta-feira não é um episódio isolado. Agentes Comunitários de Saúde relatam ataques de animais como um dos principais riscos do trabalho de campo em estados como Bahia, Pará, Maranhão, Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro. Entre os principais fatores que tornam os ACS vulneráveis a esse tipo de ocorrência estão:
💠 Ausência de equipamentos de proteção individual específicos para visitas em domicílios com animais;
💠 Falta de protocolos municipais padronizados sobre como proceder diante de animais agressivos no território;
💠 Ausência de cadastro atualizado de domicílios com histórico de animais perigosos nas microáreas;
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💠 Inexistência, na maioria dos municípios, de cobertura de seguro para acidentes de trabalho decorrentes de ataques de animais durante visitas domiciliares;
💠 Ausência de treinamento específico sobre manejo de situações de risco com animais domésticos.
Um risco que não está no contrato, mas está na rua todos os dias
O Agente Comunitário de Saúde não entra em consultório. Entra em becos, quintais, casas sem muro e ruas sem calçada. Vai onde as famílias estão — e onde, frequentemente, os animais também estão.
A diferença entre o médico que atende no posto e o ACS que bate à porta é exatamente o ambiente: o primeiro trabalha em espaço controlado; o segundo, no território vivo, imprevisível e muitas vezes sem nenhuma estrutura de segurança ao redor.
O debate que precisa sair das redes e entrar nos protocolos
Cada vez que um episódio como o de Uberlândia vira notícia, a comoção dura alguns dias e passa. O que não passa é o risco — que continua presente na próxima segunda-feira, quando outro agente vai bater à porta de outro domicílio com outro animal sem dono que o controle.
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Representantes das categorias avaliam que a solução não está na coragem individual de cada ACS, mas na estruturação de protocolos municipais obrigatórios, na dotação de equipamentos adequados e no reconhecimento legal do risco como parte inerente e remunerável da função — o que reforça, inclusive, a importância de pautas como o adicional de insalubridade e a aposentadoria especial defendida pela PEC 14/2021.
A agente de Uberlândia passa bem. A categoria, nem sempre
A servidora atacada será acompanhada pela Secretaria Municipal de Saúde e, segundo as informações disponíveis, não corre risco de vida.
Mas há agentes que saem de ataques com sequelas físicas e emocionais que ficam muito além do que um relatório de ocorrência consegue registrar. O medo de retornar ao território, a hesitação antes de bater à próxima porta, a vigilância constante a cada portão sem plaquinha de aviso — essas são as marcas que nenhuma nota da prefeitura cobre.
Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br.
Edição Geral: JASB.
Encaminhamento de denúncia ao JASB: Acesse aqui.
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