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40 mil mortes em 20 anos: por que as mulheres negras morrem mais no parto no Brasil.

           Mulheres negras têm quase o dobro de risco de morte em comparação com mulheres brancas durante a gestação, o parto ou o puerpério.   —  Foto: JASB.
 
40 mil mortes em 20 anos: por que as mulheres negras morrem mais no parto no Brasil.
Publicado no JASB em 31.maio.2026. Atualizado em 01.junho.2026.

WhatsApp: Grupos Estaduais Um estudo publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health analisou 40.907 mortes maternas ocorridas no Brasil entre 2000 e 2020.
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A conclusão é direta e perturbadora: mulheres negras têm quase o dobro de risco de morte em comparação com mulheres brancas durante a gestação, o parto ou o puerpério. Quase 60% de todas as mortes do período foram de mulheres pretas e pardas.

A pergunta que a pesquisa foi feita para responder

"Já havia evidências de maior risco entre mulheres pretas e pardas, mas queríamos avaliar se essa diferença estava diminuindo com o passar dos anos. Observamos que essas desigualdades persistem, mostrando que não se trata apenas de um problema assistencial, mas também estrutural", relata a enfermeira Giovana Aparecida Gonçalves Vidotti, professora orientadora de mestrado e doutorado no departamento de Ginecologia. 
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A desigualdade não diminuiu. Vinte anos de dados confirmam que o risco extra de morrer segue ligado à cor da pele. Alagoas 24 Horas

As causas identificadas — e o que nenhuma é biológica

Os pesquisadores afirmam que "os resultados demonstram o impacto do racismo na mortalidade materna" e que "o aumento das taxas de mortalidade entre mulheres negras são uma consequência de uma construção social que impacta negativamente seus resultados de saúde e não está relacionado a qualquer fator genético ou fatores biológicos." 

As principais causas de mortalidade materna identificadas nas duas décadas analisadas foram condições obstétricas mal definidas, respondendo por 29,9% dos casos, seguidas por hipertensão. 

Entre os fatores identificados pelos pesquisadores como determinantes da desigualdade racial na mortalidade materna estão:

💠Racismo estrutural — que impacta negativamente os resultados de saúde independentemente de fatores biológicos;

💠Dificuldade de acesso ao pré-natal de qualidade e início tardio do acompanhamento médico;
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💠 Falhas no encaminhamento para serviços especializados durante a gestação;

💠 Menor escolaridade associada a menor acesso a serviços e informações de saúde;

💠 Vulnerabilidade socioeconômica — renda mais baixa e residência em regiões com menos infraestrutura de saúde.


O Norte e o Sudeste: dois retratos da mesma desigualdade

Em todas as regiões geográficas do Brasil, a taxa de mortalidade foi maior entre mulheres pretas, atingindo 186 mortes por 100 mil nascidos vivos no Norte. A maior diferença entre mulheres negras e brancas foi registrada no Sudeste: 115,5 mortes a cada 100 mil nascidos vivos entre negras, contra 60,8 entre brancas.
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"O achado mais surpreendente foi que as mulheres pretas têm maior risco de morte quando comparadas, também, às mulheres pardas", destaca o pesquisador José Paulo Siqueira Guida, coautor do estudo, da Unicamp. O dado revela que a desigualdade não se explica apenas por pobreza — ela é racial, e aparece mesmo dentro dos grupos mais vulneráveis. 

           Há desafios para as mulheres negras grávidas enfrentar, no Brasil.   —  Foto: JASB.

Mulheres indígenas: o grupo ainda mais invisível nos dados

O estudo mostrou que mulheres indígenas apresentam índices ainda mais elevados, com mortalidade materna superior ao dobro da registrada entre mulheres brancas. As regiões Norte e Nordeste concentram os piores indicadores, onde fatores econômicos e de infraestrutura aprofundam as desigualdades. 

O silêncio sobre a mortalidade materna indígena é em si um problema: a subnotificação histórica nesses territórios sugere que os números reais podem ser ainda mais graves do que os dados oficiais revelam. Notícias ao MinutoWproo
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O Brasil e a meta que ainda não chegou

A meta da Organização Mundial da Saúde é reduzir a mortalidade materna para até 70 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030. Em 2024, esse índice no Brasil foi de 57 mortes por 100 mil nascidos vivos. 

O número está abaixo da meta — mas a média esconde a desigualdade. Para as mulheres negras, o índice real é muito mais alto. Para superar o racismo estrutural na saúde, a especialista destaca que é preciso ir além da conscientização individual: 

"É necessária uma transformação fundamentada em educação crítica e antirracista, tanto na graduação médica quanto na educação profissional continuada." Sem isso, a meta de 2030 chegará — e a desigualdade racial na maternidade continuará onde está.

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Autor: Samuel Camêlo
Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br. 
Edição Geral: JASB.
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