Precaução científica ou risco real? O que se sabe sobre a suspensão da vacina do Butantan contra a dengue.
Ministério da Saúde suspende vacina da dengue do Butantan após 42 reações severas e duas mortes suspeitas em 500 mil doses aplicadas. — Foto: JASB/Reprodução/G1.Precaução científica ou risco real? O que se sabe sobre a suspensão da vacina do Butantan contra a dengue.
WhatsApp: Grupos Estaduais | Vacina da dengue do Butantan: A vacina brasileira que chegou como marco histórico e foi suspensa seis meses depois: entenda o caso.
Acesse ao vídeo com a entrevista do ministro Alexandre Padilha, no final desta matéria.
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Ministério da Saúde suspende vacina da dengue do Butantan após 42 reações severas e duas mortes suspeitas em 500 mil doses aplicadas.
Governo adota precaução científica e recomenda acompanhamento de quem tomou o imunizante nas últimas três semanas; causalidade com os óbitos ainda não foi comprovada.
O ministro da Saúde Alexandre Padilha anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da imunização contra a dengue com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.
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Segundo o Ministério da Saúde, das 500 mil doses aplicadas no país desde o início do ano, foram identificados 42 casos de reações severas possivelmente ligadas ao imunizante. Entre eles, três casos graves — dos quais dois resultaram em óbito.
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A medida foi adotada por precaução, enquanto a relação de causalidade entre os eventos adversos e a vacina ainda não foi estabelecida.
O que se sabe sobre os casos graves
Nos três casos graves, os pacientes registraram sintomas de dengue grave em até três semanas após a vacinação. Uma das vítimas foi uma mulher de 48 anos, que faleceu 19 dias depois de receber o imunizante ao desenvolver dengue grave com comprometimento neurológico.
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Segundo o Ministério da Saúde, até o momento, não há dados suficientes para estabelecer relação direta de causalidade entre as mortes e a vacina. A suspensão permanecerá em vigor até que todas as investigações sejam concluídas.
O que o governo recomenda a quem já se vacinou
O Ministério da Saúde recomendou que unidades de saúde que aplicaram a vacina nas últimas três semanas façam acompanhamento ativo das pessoas vacinadas para identificar possíveis reações adversas.
Quem recebeu o imunizante nesse período deve procurar uma unidade de saúde para monitoramento.
"Nós tivemos três casos graves, desses dois óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, ter dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência", disse o ministro da saúde, Alexandre Padilha.
A orientação é válida especialmente para quem apresentar qualquer sintoma, mesmo que não pareça relacionado à vacinação. A Anvisa acompanha o processo de avaliação e participará da análise dos dados coletados.
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O marco histórico que está sob investigação
A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Anvisa no fim de novembro de 2025 e é a primeira do mundo aplicada em dose única contra a dengue — além de ser a primeira vacina totalmente brasileira contra a doença.
Com eficácia de proteção geral de 65% e de 85% para casos graves, o imunizante foi desenvolvido para pessoas entre 12 e 59 anos.
A campanha começou em fevereiro de 2026, com foco inicial nos profissionais da Atenção Básica em Saúde — médicos, enfermeiros, Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias — em três municípios: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG).
O contexto da dengue em 2026
O cenário epidemiológico da dengue em 2026 apresenta queda expressiva em relação aos anos anteriores: redução de 92% no número de casos e de 97% nos óbitos em comparação com o mesmo período de 2024.
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O dado torna a suspensão ainda mais delicada do ponto de vista de comunicação pública — a vacina foi lançada num momento em que a doença recuava, o que dificulta separar os efeitos do imunizante dos efeitos do próprio comportamento epidemiológico do vírus.
O SUS mantém disponível a vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda, como alternativa para o público elegível.
A precaução como protocolo
"A nossa decisão nesse momento é por descontinuar de forma temporária a atual estratégia de vacinação do uso da vacina do Butantan da dengue no país. Uma das fortalezas do nosso Programa Nacional de Imunização, que reforça cada vez mais sua credibilidade, é sempre seguir a ciência, as evidências científicas, trabalhar sempre com a lógica da proteção da população brasileira.
Muitas vezes na área da saúde a precaução é a melhor medida", disse o ministro Alexandre Padilha. A suspensão não significa que a vacina foi reprovada — significa que a ciência ainda não respondeu à pergunta mais importante: o que causou as mortes.
Assista ao vídeo (direto no Youtube):
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Autor: Samuel Camêlo.
Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br.
Edição Geral: JASB.
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