PicPay, BRB e Secretaria de Economia: o esquema de descontos que motivou 50 mandados.
Operação Juros Zero: R$ 90 milhões bloqueados em esquema na folha de servidores do DF. — Foto: JASB.PicPay, BRB e Secretaria de Economia: o esquema de descontos que motivou 50 mandados.
WhatsApp: Grupos Estaduais | Operação Juros Zero: R$ 90 milhões bloqueados em esquema na folha de servidores do DF. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios deflagrou nesta sexta-feira, 19 de junho, a Operação Juros Zero.
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50 mandados, R$ 90 milhões bloqueados e três alvos: o que é a Operação Juros Zero
O alvo: um suposto esquema de descontos irregulares na folha de pagamento de servidores, aposentados e pensionistas do governo do Distrito Federal, com participação de um banco público, uma fintech privada e ex-dirigentes do próprio governo.
O que a operação investiga
O MPDFT apura a existência de um esquema envolvendo operações relacionadas à folha de pagamento dos servidores do Distrito Federal. Segundo as apurações, o banco digital PicPay — controlado pelos irmãos Batista, da JBS — estaria realizando descontos referentes a empréstimos consignados nos salários de servidores, aposentados e pensionistas do governo do DF.
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Os crimes investigados incluem práticas contra a economia popular, publicidade enganosa nas relações de consumo, inserção e modificação de dados em sistemas da administração pública, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
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Os 50 mandados e onde foram cumpridos
Por determinação do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão simultaneamente em três localidades. Veja onde a ação se concentrou:
💠 Brasília (DF) — sede do BRB, da BRB Serviços S.A., da Secretaria de Economia do DF e do Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF);
💠 São Paulo (SP) — sede do PicPay;
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💠Curitiba (PR) — endereços ligados a investigados e a associações envolvidas no esquema.
A ação foi conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com execução das buscas pelo Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) da Polícia Civil do DF.
Quem são os investigados
Segundo matéria do Portal G1, três nomes concentram a atenção da operação — cada um vinculado a uma das instituições no centro do esquema:
💠 Ney Ferraz Júnior — ex-secretário de Economia do Distrito Federal na gestão Ibaneis Rocha. Já havia sido alvo de outra operação do MPDFT e da Polícia Civil na quarta-feira, 17 de junho, que apura crimes contra a administração pública;
💠 Paulo Henrique Costa — ex-presidente do BRB, atualmente preso e também alvo da Operação Compliance Zero, investigação distinta relacionada ao banco;
💠 Eduardo Chedid Simões — diretor do PicPay, que já havia sido indiciado anteriormente pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS.
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A presença de Eduardo Chedid Simões conecta esta operação a um problema mais amplo já investigado em nível nacional: descontos não autorizados em folhas de pagamento, que no caso do INSS gerou uma comissão parlamentar mista de inquérito.
O bloqueio de R$ 90 milhões
A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio de quase R$ 90 milhões em contas vinculadas ao PicPay e à Associação dos Servidores Públicos do DF. O valor bloqueado é uma medida cautelar enquanto a investigação avança — não representa, por si só, uma condenação ou reconhecimento definitivo de irregularidade.
O que dizem os investigados e instituições envolvidas
A Secretaria de Economia do DF confirmou as buscas em sua sede e emitiu nota oficial: "A investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da pasta. A secretaria está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação, garantindo pleno acesso às instalações e prestando todo o apoio necessário."
O PicPay nega qualquer irregularidade. Os demais investigados, incluindo Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, não haviam se manifestado publicamente até o fechamento desta reportagem.
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O contexto: descontos consignados sob escrutínio nacional
A Operação Juros Zero se insere num momento em que o tema dos descontos indevidos em folha de pagamento — sejam eles de aposentados do INSS ou de servidores estaduais e distritais — ganhou centralidade no debate público brasileiro.
A CPMI dos Descontos Indevidos do INSS, no Congresso Nacional, já expôs um padrão nacional de fraudes envolvendo associações, bancos e fintechs que descontam valores de benefícios previdenciários sem autorização clara dos beneficiários.
A participação do PicPay nas duas frentes — tanto na investigação do DF quanto no indiciamento anterior pela CPMI — sugere que o caso de Brasília pode não ser isolado, mas parte de um padrão mais amplo de operações financeiras que mereceria atenção redobrada de órgãos reguladores em todo o país.
O que vem a seguir
Com os mandados cumpridos e o material apreendido em análise, a investigação segue em andamento. O Ministério Público ainda não estabeleceu prazo para conclusão das apurações nem anunciou se haverá denúncia formal contra os investigados.
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A Operação Compliance Zero, que já mantinha Paulo Henrique Costa preso, segue em paralelo e pode se conectar às descobertas desta nova fase investigativa.
Autor: Samuel Camêlo.
Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br.
Edição Geral: JASB.
Encaminhamento de denúncia ao JASB: Acesse aqui.
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