Agentes de Saúde morrem 21 anos antes da média brasileira, aponta Fiocruz.
As pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz sobre a morte antecipada de Agentes de Saúde é um verdadeiro choque para a Saúde Pública Brasileira. — Foto: JASB.com.br.Agentes de Saúde morrem 21 anos antes da média brasileira, aponta Fiocruz.
WhatsApp: Rede do JASB | Pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz revelam que Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias morrem, em média, aos 55 anos — 21,6 anos antes da expectativa de vida da população brasileira, fixada em 76,6 anos pelo IBGE em 2024.
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Os dados impõem uma pergunta urgente: como pode o Brasil exigir que esses profissionais cuidem da saúde de todos, sem garantir condições mínimas para que eles próprios cheguem à aposentadoria?
Dois estudos científicos confirmam o que a categoria denuncia há décadas. Uma pesquisa coordenada pela doutora Ariane Leites Larentis, do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP/Fiocruz), analisou 109 declarações de óbito de Agentes de Combate às Endemias no Rio de Janeiro entre 2013 e 2017, constatando que 75% morreram em idade produtiva, com média de óbito aos 55 anos.
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Um boletim epidemiológico da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), lançado em agosto de 2025, analisou 216 mortes de Agentes Comunitários de Saúde no Rio de Janeiro entre 2010 e 2024, concluindo que 60% foram causadas por fatores considerados evitáveis. Ambos os estudos apontam para um padrão de adoecimento e morte precoce diretamente associado às condições de trabalho da categoria.
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🔍 O que mata os Agentes de Saúde antes do tempo
Os estudos da Fiocruz não deixam margem para dúvida: a mortalidade precoce não é coincidência — é consequência direta das condições de trabalho. Para os Agentes de Combate às Endemias, a exposição frequente a agrotóxicos, incluindo substâncias cancerígenas e neurotóxicas, é o principal fator de risco identificado.
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O inseticida Malathion, utilizado nos carros de fumacê, foi apontado como agente causador de contaminação do sistema imunológico. As principais causas de morte identificadas entre os ACE foram doenças do aparelho respiratório (39%) e câncer (15%), ambas diretamente associadas à exposição química.
Os dados revelam um padrão silencioso de adoecimento que avança enquanto o Estado permanece omisso.
Entre os principais fatores de risco que levam ao adoecimento e à morte precoce da categoria estão:
💠 Exposição a agrotóxicos cancerígenos e neurotóxicos, incluindo o Malathion utilizado em carros de fumacê pelos Agentes de Combate às Endemias;
💠 Estresse, sobrecarga de trabalho, racismo institucional e falta de apoio psicológico, fatores determinantes para o adoecimento dos Agentes Comunitários de Saúde;
💠 Exposição à violência nos territórios de atuação, especialmente em comunidades de alta vulnerabilidade sanitária e social;
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💠 Dificuldade de acesso à saúde: 83,7% dos ACS no Rio de Janeiro não têm plano de saúde, e 58,92% relatam dificuldade para ser atendidos no próprio SUS onde trabalham.
📊 O retrato da desigualdade: quem mais morre e por quê
O boletim da EPSJV/Fiocruz, lançado em agosto de 2025, acende um alerta sobre raça e gênero. A partir de 2020, houve aumento expressivo de óbitos entre mulheres negras na faixa etária de 45 a 59 anos, evidenciando que a mortalidade precoce da categoria atinge de forma desigual os grupos mais vulneráveis.
Doutora Ariane Leites Larentis, do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP/Fiocruz). — Foto: JASB/Fiocruz.Considerando que cerca de 70% dos quase 400 mil Agentes de Saúde no Brasil são mulheres, o dado revela uma crise de Saúde Pública dentro da própria força de trabalho do SUS. A combinação de exposição a inseticidas, ambientes insalubres e más condições laborais confirma, segundo a Fiocruz, que o adoecimento e a morte precoce desses profissionais são resultado direto de um sistema que cobra dedicação sem oferecer proteção.
Entre os dados que compõem o retrato da mortalidade precoce dos Agentes de Saúde estão:
💠 75% dos Agentes de Combate às Endemias analisados morreram em idade produtiva, segundo pesquisa da Cesteh/ENSP/Fiocruz;
💠 60% das 216 mortes de Agentes Comunitários de Saúde no Rio de Janeiro entre 2010 e 2024 foram por causas consideradas evitáveis, segundo a EPSJV/Fiocruz;
💠 A expectativa de vida da população brasileira é de 76,6 anos (IBGE, 2024), contra 55 anos de idade média de óbito da categoria — uma diferença de 21,6 anos;
💠 Aumento expressivo de óbitos entre mulheres negras ACS na faixa de 45 a 59 anos, registrado a partir de 2020, segundo o boletim da EPSJV/Fiocruz de agosto de 2025.
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⚕️ A ciência confirma o que a categoria já sabia
Os números da Fiocruz traduzem em dados o que Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias vivem na pele. Trabalho em territórios insalubres, contato direto com substâncias tóxicas, sobrecarga física e emocional e ausência de Proteção Social adequada formam um cenário que adoece e mata.
A PEC 14/2021, aprovada na Câmara em outubro de 2025 e em tramitação no Senado, propõe aposentadoria especial aos 50 anos para mulheres e 52 para homens com 25 anos de exercício — justamente porque os dados científicos comprovam que esperar até os 62 ou 65 anos, como exige o regime geral, significa para muitos profissionais nunca chegar vivos à aposentadoria.
🧠 Morrer antes de se aposentar não pode ser destino de quem salva vidas
A Fiocruz fornece a evidência. Os dados do IBGE fornecem o contraste. E a realidade da categoria fornece o contexto: esses profissionais percorrem microáreas extensas, aplicam inseticidas sem equipamentos adequados, acompanham famílias em territórios violentos e ainda enfrentam barreiras para ser atendidos no sistema de saúde que ajudam a sustentar.
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Morrer 21,6 anos antes da média nacional não é fatalidade — é resultado mensurável de condições de trabalho que o Estado brasileiro ainda não corrigiu. Os estudos da Fiocruz não deixam espaço para negação: garantir aposentadoria especial, reduzir a jornada e regulamentar a insalubridade para ACS e ACE não é pauta política — é obrigação científica e moral.
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Autor: Samuel Camêlo
Fonte: JASB com informações da Fiocruz — Cesteh/ENSP
Edição Geral: JASB.
Encaminhamento de denúncia ao JASB: Acesse aqui.
Publicação: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br.
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