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Cerca de um médico comete suicídio por dia, número pode chegar a 400 por ano.

        Foram identificados seis temas abrangentes que sinalizam as principais preocupações dos médicos deprimidos.  —  Foto/Reprodução.
 
Cerca de um médico comete suicídio por dia, número pode chegar a 400 por ano.
Publicado no JASB em 18.julho.2022. Atualizado em 19.julho.2022.        

Grupos no WhatsApp Uma estimativa da Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio indica que, em média, 300 a 400 médicos cometem suicídio por ano em todo o mundo. Média de uma morte por dia.
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Estudos internacionais apresentam ainda que os médicos têm uma frequência 2,45 vezes maior que o restante da população. Levantamentos elencam os fatores: exposição diária a situações de estresse, vivência direta com a morte e condições de trabalho precárias como alguns gatilhos para o ato.

Segundo matéria publicada pelo Portal G1, pesquisadores de uma universidade da Califórnia examinaram as narrativas das mortes por suicídio de 200 médicos para entender quais os principais problemas que contribuem para o estresse no trabalho médico.

De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade da Califórnia em San Diego 1 em cada 15 médicos têm ideias suicidas e são mais propensos a enfrentarem pressões dentro do ambiente de trabalho que os leva ao pensamento recorrente sobre a vontade de tirar a própria vida.


Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores revisaram as investigações sobre as mortes de 200 médicos que se suicidaram nos EUA, partindo de um banco de dados nacional com informações do período compreendido entre 2003 e 2018.
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        Estudo americano aponta principais causas de suicídio entre os médicos.  —  Foto/Reprodução.

Usando ferramentas para interpretar as narrativas dos relatórios, como um método de processamento de linguagem natural e análise temática, a equipe conseguiu identificar os principais problemas que contribuem para o estresse no trabalho médico e a relação com o suicídio.

Publicado na revista "Suicide and Life-Threatening Behavior", o estudo encontrou seis temas recorrentes: incapacidade para o trabalho devido à deterioração da saúde física, uso de substâncias que prejudicavam o emprego, interação entre saúde mental e questões relacionadas ao trabalho, conflitos de relacionamento que afetam o trabalho, problemas legais e aumento do estresse financeiro.
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“Muitas vezes negligenciamos a saúde física de nossos profissionais de saúde, mas a saúde precária pode levar à dificuldade em realizar tarefas no trabalho, o que leva ao estresse no trabalho e a problemas de saúde mental”, disse a autora correspondente Kristen Kim, MD, médica residente em psiquiatria. na UC San Diego Health.

Soluções a curto e longo prazo
Os autores enfatizaram que, no curto prazo, é essencial que os médicos tenham maior acesso aos serviços de atenção primária, que envolve um aconselhamento confidencial sobre saúde mental. Além disso, é preciso minimizar os desafios de uma rotina cuja agenda é sempre cheia.

A longo prazo, discutem-se mudanças estruturais e culturais mais amplas para lidar com o estresse no local de trabalho e a falta de autocuidado da classe médica. Entre elas, cultivar um senso de segurança e comunidade entre os médicos e o oferecimento de educação adicional sobre finanças pessoais e apoio jurídico por parte das escolas de medicina.

A cultura tácita da medicina encoraja o auto-sacrifício, necessidades adiadas e recompensas atrasadas. Sempre queremos colocar nossos pacientes em primeiro lugar, mas os curandeiros não podem curar de maneira ideal, a menos que eles mesmos sejam primeiro inteiros”, reforça a médica residente em psiquiatria.

Caso dramático no Brasil
Segundo informações de matéria do Notisul, de 2019, no Brasil, o estado de Pernambuco chamou a atenção de autoridades, em consequência do alto índice de suicídio.

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Uma média de 1 suicídio por mês estava sendo registrada entre os médicos pernambucanos. As mortes ocorrem em todas as regiões. Caruaru, no Agreste, testemunhou dois casos, além de uma tentativa. Em geral, são profissionais com mais de 50 anos, carreira sólida e família constituída. Para os outros, uma vida perfeita e uma profissão dos sonhos. Por dentro, emocional arrebentado.

A frequência de suicídio entre médicos chamou a atenção do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), do Sindicato dos Médicos (Simepe) e da Associação Médica (Ampe). Eles agendam para setembro reuniões sobre o tema, com intenção de entender o cenário.

Pernambuco não tem estatísticas oficiais sobre mortalidade provocada por médicos contra eles próprios ao longo dos anos, mas a fotografia mundial se repete aqui, de acordo com os próprios profissionais. 

Temos uma vida de elevado nível de estresse. As condições de trabalho são bem complicadas. Por vezes poderíamos até dizer que são indignas. O médico lida não só com o estresse técnico, mas também com algumas escolhas que precisa tomar numa emergência. São, sem dúvida, fatores desencadeantes para chegar à depressão e ao suicídio”, assinala a vice-presidente do Simepe, Cláudia Beatriz Câmara.
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Ela verificou um aumento de casos de Síndrome de Burnout entre os profissionais de saúde desde 2010. A doença, conhecida como transtorno de esgotamento profissional, leva o paciente a apresentar problemas de ansiedade e até cardíacos diretamente ligados ao trabalho.

Conselheira do Cremepe e diretora da Ampe, a psiquiatra Jane Lemos ressalta que os episódios deste ano preocupam. Tanto que as entidades buscam alternativas para frear os casos. Uma das primeiras ideias é a promoção de seminários para discutir o tema. Outra é a possível articulação de um serviço para ajudar diretamente médicos com sinais de tendências suicidas.

O desafio é grande, pois os profissionais são extremamente resistentes a se tornarem pacientes, principalmente quando o assunto é a própria emoção. Isso pode ser visto como um sinal de fragilidade, que entra em conflito com o sentimento de onipotência comum a esses profissionais.

“Ele reluta. E, muitas vezes, se automedica. Pedem medicação ao colega, em vez de procurar um profissional habilitado para se tratar, no caso, o psiquiatra.”
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