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Carne de burro na Argentina: procura cresce, mas gargalo regulatório trava expansão.

           A Patagônia perdeu mais da metade do rebanho de burro.   —  Foto: JASB.
 
Carne de burro na Argentina: procura cresce, mas gargalo regulatório trava expansão.
Publicado no JASB em 17.abril.2026. Atualizado em 18.abril.2026.

WhatsApp: Grupos Estaduais O projeto "Burros Patagones" esgotou o estoque antes do prazo esperado, reacendeu o debate sobre hábitos alimentares e expôs um problema que vai muito além da crise do boi: a Argentina não tem frigoríficos federais habilitados para essa espécie.
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Não foi só a crise que criou essa abertura

A narrativa mais fácil sobre a carne de burro na Argentina é a da necessidade econômica. Mas o produtor rural Julio Cittadini, idealizador do projeto "Burros Patagones", na estância de Punta Tombo, em Chubut, tem uma versão mais precisa: o problema começa antes do preço da carne bovina.

A Patagônia perdeu mais da metade do rebanho ovino em menos de 50 anos. O estado de Chubut, que concentra 25% do rebanho nacional argentino, caiu de 6,4 milhões de cabeças em 1978 para 2,98 milhões em 2025 — uma queda de 54%. Predadores, degradação do solo e custos logísticos esvaziaram campos inteiros. Foi nesse vácuo que Cittadini encontrou o burro.
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Por que o burro funciona onde o boi não consegue

A estepa patagônica não é apta para bovinos em grande parte do território. O burro, segundo Cittadini em entrevista à Rádio 750, se adapta ao ecossistema desértico da região com uma eficiência que os animais tradicionais simplesmente não têm.

Com 150 animais em seu rebanho em abril de 2026 — 70 fêmeas reprodutoras adquiridas no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, além de animais locais —, o produtor trabalha com seleção genética voltada para aptidão cárnica. A previsão é abater animais entre um ano e meio e dois anos e meio, com rendimento estimado de 120 a 130 quilos por carcaça.


O que os dados de vendas revelam sobre o consumidor argentino

A experiência piloto aconteceu em uma carnicería de Trelew, em abril de 2026, com autorização do Ministério da Produção de Chubut e controles bromatológicos. O preço: 7.500 pesos o quilo — frente a cortes bovinos que chegam a superar 25.000 pesos.
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Cittadini esperava que o estoque durasse uma semana. Segundo ele relatou ao programa Telenoche: "O que colocamos à venda acabou em um dia. Em um dia e meio não sobrou nada." Uma degustação aberta organizada em uma parrilla local para 16 de abril também esgotou seus lugares, com empanadas, chorizos e asado preparados com a carne.

O que a carne tem e o que os primeiros consumidores disseram

Os perfis nutricionais e sensoriais da carne de burro formam o argumento técnico que ancora o projeto:

💠 Carne magra, com baixo teor de gordura e perfil proteico elevado;

💠 Sabor descrito por quem provou como semelhante ao bovino, com notas ligeiramente mais intensas e um toque adocicado;

💠 Cortes equivalentes aos bovinos, o que facilita a adaptação em receitas tradicionais;

💠 Preço final projetado por Cittadini como "não superior a 50% do valor da carne de vaca" mesmo depois da expansão da produção;

💠 Potencial de subproduto: o couro pode ser usado para produzir ejiao — gelatina medicinal e cosmética com demanda crescente no mercado asiático.
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O gargalo que nenhum portal brasileiro ainda mapeou

Aqui está o ponto que separa um projeto piloto de uma transformação real no mercado: a Argentina não possui frigoríficos habilitados para trânsito federal para a espécie asinina. Conforme apurado pelo portal iProfesional a partir das próprias normas sanitárias nacionais, a comercialização fora de Chubut é inviável enquanto essa habilitação não existir.

           A Argentina ainda se recupera de uma crise econômica que dura mais de uma década.   —  Foto/Reprodução.

Na prática, o que Cittadini conseguiu até agora é legal — mas restrito à província. Para escalar, ele precisaria de um frigorífico com habilitação federal para equídeos e asininos, que atualmente não existe no país. O entusiasmo do consumidor já foi testado. O obstáculo agora é burocrático e normativo, não cultural.

A crise do boi como catalisador — mas não como causa

O consumo de carne bovina na Argentina caiu cerca de 20%, segundo o açougueiro Gonzalo Moreira, de Buenos Aires, em entrevista à Rádio 750. Frango e suíno cresceram, depois também encareceram. Os ovos viraram febre. Agora o burro entra na fila das alternativas.
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Mas Cittadini deixou claro em entrevista ao Infobae que sua motivação não foi a crise de preços: "Não é por causa da crise — é uma opção produtiva para a Patagônia." carne de burro Argentina 2026, Burros Patagones Julio Cittadini, carne de burro Chubut Trelew, crise carne bovina Argentina preço, alternativa proteía animal Argentina, ejiao subproduto burro exportação Chian.
O timing pode ser favorável. A receptividade do público foi acima do esperado. E a dimensão de exportação via ejiao dá ao projeto uma lógica que vai além do balcão da carnicería. O que falta é o Estado argentino criar o marco regulatório que permita a expansão — antes que a janela se feche. regulamentação federal frigorífico equídeo Argentina, carne burro preço 7500 pesos, pecuária patagônica alternativa produtiva, consumo carne Argentina inflação


Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br. 
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