O Globo: Aposentadoria Especial dos Agentes de Saúde divide governo, prefeitos e Congresso.
O Globo produz 2ª matéria mirando na Aposentadoria Especial dos Agentes Comunitários e de Endemias. — Foto/Reprodução/Matéria de O Globo.O Globo: Aposentadoria Especial dos Agentes de Saúde divide governo, prefeitos e Congresso.
WhatsApp: Grupos Estaduais | A Proposta de Emenda à Constituição 14/2021, que cria Aposentadoria Especial para Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias, chegou à reta final no Senado Federal carregando um debate que vai muito além do calendário legislativo. Veja a defesa da ACS Valda, mais abaixo.
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Segundo a reportagem do Portal O Globo, de um lado, o Ministério da Previdência Social e prefeitos alertam para impacto fiscal de R$ 29,5 bilhões em dez anos. Do outro, quase 400 mil profissionais que, segundo pesquisas da EPSJV/Fiocruz, morrem em média aos 55 anos — 21,6 anos antes da expectativa de vida da população brasileira.
Os números em disputa — e por que eles importam tanto
O impacto estimado pelo Ministério da Previdência Social é de R$ 29,31 bilhões nos cofres da Previdência ao longo de uma década, com R$ 18,6 bilhões recaindo sobre os sistemas previdenciários municipais e R$ 10,9 bilhões sobre a União.
O editorial do jornal O Globo, publicado em 8 de abril de 2026, alerta que esse valor pode ser ainda maior, pois os cálculos oficiais não incluem a revisão das aposentadorias já concedidas, prevista no texto da PEC.
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A variação de estimativas é significativa: o relator na Câmara, deputado Antonio Brito (PSD-BA), estimou o custo em R$ 5,5 bilhões, enquanto a Confederação Nacional dos Municípios projetou até R$ 69,9 bilhões ao longo de décadas.
A matéria do Portal O Globo nada fala sobre a economia de mais de 226 bilhões ao ano, procedente das atividades desempenhadas pelos Agentes Comunitários e de Combate às Endemias.
VEJA TAMBÉM:
O que a proposta garante — e o que muda na Reforma da Previdência
A PEC altera os artigos 40, 198 e 201 da Constituição Federal. Os benefícios previstos incluem:
💠 Aposentadoria aos 50 anos para mulheres e 52 para homens, com 25 anos de exercício nas funções de campo;
💠 Integralidade — benefício calculado sobre o último salário da carreira;
💠Paridade — reajustes equivalentes aos dos servidores em atividade, regalia extinta há mais de 20 anos no serviço público;
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💠Desprecarização dos vínculos de trabalho para agentes com contratos temporários em centenas de municípios.
A Reforma da Previdência de 2019 fixou idades mínimas de 65 anos para homens e 62 para mulheres. Mesmo assim, o sistema continua deficitário — a estimativa é que o rombo chegue a R$ 339 bilhões em 2026. O editorial do O Globo aponta que, dos 2.132 regimes próprios municipais, apenas 20 não apresentam déficit atuarial.
O argumento da categoria: desgaste real com dados científicos
A defesa da proposta está ancorada em evidências científicas sobre as condições de trabalho da categoria. Pesquisas da Fiocruz analisaram 109 declarações de óbito de Agentes de Combate às Endemias no Rio de Janeiro entre 2013 e 2017 e constataram que 75% morreram em idade produtiva, com média de óbito aos 55 anos.
Valda Pereira, presidente do FNARAS, aponta que cerca de 78% dos agentes veteranos, com 18, 20 ou até mais de 30 anos de atuação, apresentam doenças laborais. Acsace Os defensores da PEC argumentam ainda que cada R$ 1 investido em prevenção pode gerar até R$ 1,80 de retorno em tratamentos evitados — um dado que os cálculos fiscais contrários não incorporam.
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Os riscos apontados pelos críticos da PEC
O O Globo e setores do governo federal identificam riscos que ultrapassam o impacto imediato. Os principais argumentos contrários à proposta são:
💠 Risco de efeito cascata: outras categorias, como agentes socioeducativos e guardas municipais, podem acionar a Justiça invocando o princípio da isonomia;
💠 Ausência de transição fiscal: a aprovação sem período de adaptação pode colapsar fundos previdenciários municipais sem reservas;
💠 Impacto subestimado: os cálculos oficiais não incluem a revisão das aposentadorias já concedidas, prevista no texto;
💠 Violação do espírito da Reforma da Previdência de 2019, que buscou uniformizar regras e eliminar exceções.
A estratégia do governo Lula tem sido tentar frear o avanço da proposta sem confrontar diretamente a categoria, considerada estratégica para os municípios. A PEC foi aprovada na Câmara em outubro de 2025 com 446 votos a 20 e aguarda votação na CCJ do Senado sob relatoria do senador Irajá Abreu (PSD-TO).
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O que define o destino da PEC nos próximos dias
O impasse legislativo tem data para se resolver. O senador Irajá Abreu já havia sinalizado voto favorável à PEC sem alterações nos dias 7 e 8 de abril.
Com o senador Otto Alencar (BA) na presidência da CCJ e alinhado ao processo, a votação segue calendário previsto. Qualquer emenda aprovada no Senado obriga o retorno do texto à Câmara — cenário que, com eleições à vista em 2026, pode inviabilizar a promulgação neste ciclo. O debate central permanece: o custo de não proteger quem protege a saúde de todos também tem um preço — e ele está fora das planilhas do Ministério da Previdência.
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Matérias Bônus:
Autor: Samuel Camêlo
Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br.
Encaminhamento de denúncia ao JASB: Acesse aqui.
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