Duas agentes de saúde assassinadas em menos de 72 horas: os crimes que chocaram ACS e ACE no Brasil.
Duas agentes de saúde assassinadas em menos de 72 horas: os crimes que chocaram ACS e ACE no Brasil.
WhatsApp: Grupos Estaduais | Marlene Ferrari e Luciana Corlett: o que se sabe sobre as mortes que mobilizaram Agentes Comunitários de Saúde.
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De Guaraciaba a Natal: os dois assassinatos de ACS que expõem violência no Brasil
Duas Agentes Comunitárias de Saúde foram assassinadas em menos de 72 horas no Brasil. Na quarta-feira (4), Marlene Ferrari, de 61 anos, foi morta a tiros durante visita domiciliar em Guaraciaba, no Extremo-Oeste de Santa Catarina. Na quinta-feira (5), Luciana Corlett, de 51 anos, foi executada ao chegar em casa, no bairro Nova Natal, na Zona Norte de Natal.
Os dois casos seguem sob investigação da Polícia Civil, e os suspeitos têm perfis e motivações distintas.
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O crime em Guaraciaba: motivação confessada e prisão em flagrante
Marlene Ferrari realizava a visita mensal de rotina na Linha Guatapará Alto quando foi atingida por disparos de uma espingarda de pressão de ar comprimido, calibre 6,35 mm, na manhã de quarta-feira (4). O suspeito, Fábio Cecchin, de 42 anos, foi preso na BR-163 após confessar o crime a um cabo da PM que estava de folga.
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À Polícia Civil, ele alegou insatisfação com as visitas domiciliares mensais da agente. A espingarda, um carregador e munições foram apreendidos. A Prefeitura de Guaraciaba decretou luto oficial de três dias, e o velório ocorreu na quinta-feira (5).
Os dados confirmados sobre o caso de Santa Catarina
A ocorrência mobilizou Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica. Abaixo, os pontos confirmados pelas autoridades:
💠 Marlene Ferrari tinha 61 anos, era Agente Comunitária de Saúde e foi morta durante o exercício da função;
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💠O suspeito, Fábio Cecchin, confessou o crime e alegou insatisfação com as visitas mensais;
💠A arma utilizada foi uma espingarda de pressão calibre 6,35 mm, apreendida com munições;
💠 A Polícia Civil não encontrou indícios de feminicídio ou violência doméstica;
💠 O suspeito tem histórico de problemas de saúde mental e episódios de agressividade, sem laudo conclusivo.
Homem confessa ter tirando a vida da Agente Comunitária por se irritar com visitas mensais em Santa Catarina, leia sobre o caso, aqui. — Foto: JASB. O crime em Natal: execução na porta de casa e medida protetiva anterior
Luciana Corlett voltava da academia em uma motocicleta quando foi surpreendida por um homem armado em um carro, na Rua Casa Grande, conjunto Nova Natal. Os disparos atingiram principalmente a cabeça, e ela morreu no local. Pelo menos oito cápsulas foram recolhidas pela perícia.
Luciana trabalhava na USF Cidade Praia e havia solicitado uma medida protetiva em abril de 2026 contra um ex-companheiro, com dois relatos de descumprimento — um em maio e outro em junho. A Polícia Civil ainda não confirmou se há relação entre esses episódios e o assassinato.
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O que os dois casos revelam sobre a exposição da categoria
Marlene foi morta dentro do território onde trabalhava, durante uma visita que fazia parte da rotina mensal de acompanhamento das famílias. Luciana foi morta na porta de casa, fora do horário de serviço, em um ataque que a investigação ainda precisa esclarecer se tem ligação com a vida pessoal ou com a atividade profissional.
Os dois crimes, com intervalo de algumas horas, expõem facetas distintas da vulnerabilidade que cerca os Agentes Comunitários de Saúde: a exposição a moradores com quadros de instabilidade durante a visita domiciliar e a violência que pode alcançar a agente fora do expediente, especialmente quando há histórico de conflito doméstico.
O que as investigações precisam responder
Em Guaraciaba, a motivação está confessada, mas falta esclarecer se o histórico de saúde mental do suspeito teve influência no crime — não há laudo técnico até o momento.
Em Natal, a pergunta central é se o ex-companheiro citado na medida protetiva tem participação no assassinato. A Polícia Civil também apura a hipótese de Luciana ter sido seguida desde a academia até a residência. A identificação do autor dos disparos e a dinâmica completa do ataque seguem em aberto. A USF Cidade Praia divulgou nota de pesar classificando a perda como irreparável .
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O que muda para as agentes que continuam trabalhando
As duas mortes ocorrem em um momento de avanços formais para a categoria — a Emenda Constitucional 140 garantiu aposentadoria especial e efetivação de temporários, e municípios como Osasco e Guaiúba já iniciaram a implementação.
Mas os crimes mostram que a segurança no exercício da função e fora dela não avançou na mesma velocidade. Para as agentes que seguem fazendo visitas domiciliares em áreas isoladas, como a Linha Guatapará Alto, ou que voltam para casa à noite depois do trabalho, como Luciana, a proteção jurídica conquistada não se traduz automaticamente em proteção física.
A categoria aguarda respostas das investigações e, mais do que isso, medidas concretas de segurança que alcancem o cotidiano de quem está na ponta. O editorial do JASB está atento aos últimos acontecimentos envolvendo ACS e ACE.
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Autor: Samuel Camêlo - Consultor em Saúde com relevante domínio nos temas relacionados a Atenção Primária à Saúde, Saúde coletiva, Processos de Trabalho, Gestão e Legislação. Bacharel em direito, Graduado e pós em História, editor, coordenador da MNAS e um eterno Agente de Saúde.
Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br.
Edição Geral: JASB.
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