De padaria à sala de aula de uma multinacional russa: a história do piauiense Jhonatas, 18 anos.
Jhonatas Lima Silva, trabalhou numa padaria aos 16 anos para comprar o primeiro computador. — Foto: JASB.De padaria à sala de aula de uma multinacional russa: a história do piauiense Jhonatas, 18 anos.
WhatsApp: Grupos Estaduais | Sem computador em casa, Jhonatas Lima Silva trabalhou numa padaria aos 16 anos para comprar o primeiro. Dois anos depois, ensina Python para adolescentes de todo o Brasil numa empresa sediada em Moscou — ainda com o mesmo computador.
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Havia um computador que ele precisava ter. Não por luxo — por sobrevivência no futuro que ele planejava. Como a família não tinha condições de comprar, Jhonatas Lima Silva, de Pedro II, no Norte do Piauí, escolheu um caminho simples: trabalhar numa padaria, guardar o que pudesse e comprar o equipamento com a própria renda.
Ele tinha 16 anos. Dois anos depois, está contratado pela Kodland — multinacional com sede em Moscou, Rússia, especializada no ensino de programação — para dar aulas remotas de Python e lógica de programação para jovens de 12 a 17 anos de todo o Brasil.
E ainda usa o mesmo computador.
Como tudo começou: a padaria e o primeiro computador
O interesse pela tecnologia começou ainda na infância. Aos 11 anos, Jhonatas teve o primeiro contato com informática em um curso básico, mas a realidade financeira da família não permitia ter um computador em casa.
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A mudança aconteceu anos depois. Aos 16 anos, já morando em Teresina, ele conseguiu emprego em uma padaria. Com o dinheiro do trabalho, realizou um objetivo antigo: comprou o primeiro computador, equipamento que até hoje utiliza para estudar, trabalhar e dar aulas.
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"Minha mãe sempre lutou por mim e pelos meus irmãos, mas não podia me dar um computador. Trabalhei e consegui comprar o meu", contou ao G1.
O computador chegou. E com ele, a possibilidade de estudar além das horas de aula, de praticar além do que a escola oferecia e de construir, aos poucos, o portfólio que um dia faria diferença num processo seletivo.
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O contrato que atravessou fronteiras — sem sair do Piauí
Jhonata Lima Silva, 18 anos, estudante da 3ª série do Centro Estadual de Tempo Integral Modestina Bezerra, em Teresina, assinou em janeiro de 2026 um contrato de dois anos com a Kodland, empresa russa de ensino de Tecnologia. Ele atua como instrutor para turmas de jovens brasileiros.
A oportunidade de trabalhar na Kodland, multinacional com sede em Moscou, surgiu após candidatura pelo LinkedIn, onde seus projetos e participação em competições chamaram atenção da empresa.
O jovem hoje dá aulas online. Ele foi contratado por uma multinacional da Rússia. — Foto/Reprodução/G1.A contratação ocorreu após o estudante se candidatar a uma vaga divulgada online. Segundo Jhonata, o portfólio com projetos desenvolvidos durante o ensino médio técnico em desenvolvimento de jogos digitais foi um diferencial no processo seletivo, que incluiu testes de conhecimento e didática.
"Fiz os testes e fui aprovado. Hoje tenho flexibilidade para dar aulas à noite e consigo organizar bem os horários. Tudo o que ensino hoje sobre programação aprendi na escola", conta o estudante.
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O que ele ensina — e como concilia com o ensino médio
Desde janeiro de 2026, Jhonatas atua como tutor de tecnologia, ministrando aulas de lógica de programação e Python para jovens entre 12 e 17 anos, em turmas realizadas de forma remota. Ao todo, ele acompanha quatro grupos de alunos, conciliando o trabalho com a conclusão do ensino médio.
Jhonata leciona Python e Scratch, utilizando projetos reais e jogos simples para facilitar o aprendizado. Seu objetivo é aproximar os alunos da programação de forma acessível e estimulante, despertando o raciocínio lógico desde cedo.
"Na minha visão, a melhor forma de aprender é ensinando. Ainda tenho muito a aprender e pretendo entrar na faculdade para me aprofundar ainda mais", afirmou.
Há um paradoxo produtivo nessa frase: o jovem que ainda estuda ensina o que aprendeu enquanto continua aprendendo. O ciclo não fechou — e ele não quer que feche tão cedo.
O projeto que foi a Brasília — e a IA que ensina idiomas
Um dos principais projetos de Jhonata foi o desenvolvimento do jogo educativo "Polyglot", criado em conjunto com colegas de turma, que utiliza inteligência artificial para ensinar idiomas e corrigir a pronúncia dos usuários.
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O projeto foi apresentado em um evento em Brasília, demonstrando como o ensino de tecnologia e inovação nas escolas da rede já gera resultados concretos.
"Acredito que os projetos que desenvolvi fizeram diferença. Compartilhei tudo no meu perfil, junto com as competições de que participei", afirma Jhonata, que mora com a mãe e três irmãos.
O portfólio de um estudante de escola pública piauiense de 18 anos chegou até uma empresa em Moscou e foi suficiente para fechar um contrato de dois anos. Sem indicações. Sem padrinho. Só com os projetos que ele mesmo desenvolveu.
O Piauí que está por trás da história
A trajetória de Jhonatas não existe no vácuo. Ela tem endereço, escola e política pública por trás.
A trajetória do jovem evidencia o impacto das políticas educacionais do Piauí: os dados do Censo Escolar 2025 colocam o estado em 1º lugar no país em matrículas de Tempo Integral no Ensino Médio e Fundamental. Atualmente, 81% dos estudantes do ensino médio estão matriculados em tempo integral e 68,8% em cursos técnicos integrados, consolidando a rede pública estadual como referência nacional.
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"Ele aprendeu programação dentro da escola e hoje trabalha para uma multinacional sem sair do Piauí", destacou a Secretaria de Educação do Estado.
Para onde vai — e o que deixa para quem vem depois
Com planos de seguir carreira em Ciência de Dados ou Engenharia de Software, Jhonata deixa um conselho para outros jovens: "É importante pensar no futuro e aproveitar as oportunidades que a escola oferece."
A história de Jhonatas Lima Silva é incômoda do jeito certo. Incômoda porque desfaz a narrativa de que escola pública não prepara para o mercado. Incômoda porque mostra que um computador comprado com salário de padaria pode ser suficiente para começar — se quem está diante dele estudar o suficiente.
E o computador ainda está lá. O mesmo de quando ele tinha 16 anos. Ainda funcionando, ainda ensinando.
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Autor: Samuel Camêlo
Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br.
Edição Geral: JASB.
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