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A história de Ivonaldo Albuquerque, o cantor que saiu de Pernambuco sem nada e chegou a 28 países.

           "Essa noite escura vai passar": a história de Ivonaldo Albuquerque, o cantor que saiu de Pernambuco sem nada e chegou a 28 países.   —  Foto/Reprodução/Rede Brasil.
 
A história de Ivonaldo Albuquerque, o cantor que saiu de Pernambuco sem nada e chegou a 28 países
Publicado no JASB em 10.maio.2026. Atualizado em 11.maio.2026.

WhatsApp: Grupos Estaduais Expulso de casa aos 14 anos, sustentado por um pé de azeitonas durante meses de crise e hoje com uma carreira de três décadas no gospel pentecostal — a história de Ivonaldo Albuquerque não cabe em uma linha. Assista ao vídeo! 
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De Santa Maria do Cambucá para o mundo: quem é Ivonaldo Albuquerque

Nascido em 1954, no interior de Pernambuco, na localidade que hoje é o município de Santa Maria do Cambucá, Ivonaldo Alves de Albuquerque cresceu numa família numerosa — eram 17 irmãos — num ambiente rural marcado pela simplicidade e, para ele, por uma dureza particular. 

Criança frequentemente doente e desnutrida, num tempo em que o farmacêutico da cidade pequena fazia as vezes de médico, ele cresceu à margem da rotina dos irmãos mais fortes, que trabalhavam na roça do pai.

O que viria a seguir moldaria tudo: a espiritualidade, a música e a capacidade de resistir que hoje ele leva consigo pelos palcos de quase três dezenas de países.
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A expulsão de casa aos 14 anos e a chegada ao Recife

A história que Ivonaldo contou à jornalista Talita Belo, no programa Lição de Vida da Rede Brasil, começa com um episódio que poucos narrariam com tanta lucidez. Aos 14 anos, após um desentendimento com um irmão menor na fábrica de doces do pai — uma confusão que terminou com um galho de árvore no tambor de balas de confeito e o irmão no chão exagerando a queda —, o pai tomou uma decisão drástica: cinco dias para sair de casa.

"Eu fiquei com a esperança de que minha mãe iria intervir. Pensei que ela fosse dizer: se ele sair, eu saio também. Mas minha mãe calou. Não disse nada."

Com uma passagem de Santa Maria para o Recife, sem pertences e com muita incerteza, o adolescente chegou à capital pernambucana. Por acaso — ou, como ele prefere, por providência — encontrou nas mediações do Hotel Holiday um conhecido dos pais que o acolheu num quarto de cortiço e o levou para vender pão de manhã cedo pelas ruas dos bairros nobres da cidade.

"De manhã cedo já tinha café e um pãozinho quentinho. Aquilo já salvava."

A casa italiana, o jardineiro e o primeiro encontro com o evangelho

Após um período vendendo pão com o amigo pelas ruas de Boa Viagem, uma italiana de nome Helena Borrione perguntou ao rapaz se não conhecia alguém do interior para trabalhar em sua casa. O amigo virou e apontou para Ivonaldo. A família se reuniu, aceitou o jovem, assinou sua carteira profissional como menor empregado doméstico e lhe deu moradia, alimentação e um salário de 150 cruzeiros.
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Foi dentro daquela casa que chegou o jardineiro. Todo mês, sem falta, ele aparecia para cuidar das plantas — e, junto com isso, ia alimentando Ivonaldo com outra coisa: o evangelho. 

"Ele dava uma colher de pão de evangelho para mim e foi me alimentando." Três anos depois, Ivonaldo saía daquela casa com muito mais do que quando entrou. Voltou para a favela, foi chamado para trabalhar de balconista na padaria onde antes vendia pão — porque agora sabia matemática, sabia dar troco sem calculadora, sabia se virar. Aos 20 anos, entregou a vida a Jesus.

O chamado para a música e as promessas que pareciam grandes demais

Dentro da Igreja Assembleia de Deus (IEADPE), Ivonaldo descobriu que sabia fazer música. Não qualquer música: hinos temáticos, aqueles compostos especialmente para as festas e cultos da tradição pentecostal. Tinha dois irmãos repentistas, tocadores de viola — e algo dessa herança do sertão entrou na forma como ele construía melodias e rimas. O povo da igreja percebeu. E Deus, segundo ele, foi além.

"O Senhor falava comigo assim: eu irei te fazer conhecido em vários lugares do mundo. Eu disse: brincadeira, Jesus. E ele dizia: eu irei te levar a muitos países, e países te aguardam. Aí eu disse: oxe, piorou."
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A terceira promessa era sobre prosperidade material. Ivonaldo confessa que resistiu. "Eu disse a Jesus: não quero não. Talvez eu não saiba lidar com finanças, vou ficar inchado, importante, e não vou saber honrar."

Deus, segundo ele, respondeu: "Não, mas eu vou lhe preparar."

O pé de azeitona: quando a provisão vem de onde menos se espera

O preparo chegou da forma mais inesperada possível. Ivonaldo já tinha emprego, carro, loja, terrenos, conta no banco — e perdeu tudo em pouco tempo. A família começou a vender os móveis de dentro de casa para comprar comida. A geladeira foi colocada na calçada com placa de venda: ficou 15 dias sem que ninguém aparecesse, até que o motor queimou. O fogão pegou fogo dias depois.

"Ficamos sem fogão, sem geladeira, sem nada. Casado, com dois filhos. Minha esposa não reclamava. A gente sabia que era prova de Deus."

Foi então que o pé de azeitona que crescia no quintal — plantado antes mesmo de Ivonaldo chegar àquela casa — tornou-se a única fonte de alimento por meses. Não uma safra. Não duas. Quatro safras seguidas, num ciclo que a própria vizinha, irmã Zéza, nunca havia visto acontecer com aquela árvore.
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"Ela me chamou e disse: 'Tá acontecendo uma coisa estranha. Eu plantei esse pé de azeitona antes de você ter esse terreno. Nunca vi botar três safras atrás da outra. Nunca vi isso não.'"

Na terceira safra, debaixo da azeitona, em oração e lamento, Ivonaldo ouviu o que descreve como a voz de Deus: "Quando se acabarem estas azeitonas, acaba-se também a sua necessidade." Ele foi ao encontro da esposa pulando de alegria — e ela, ao vê-lo dançar num momento de escassez material, pensou que ele havia perdido o juízo.

Quatro safras depois, com a última azeitona caída, chegaram os materiais de construção doados, as casas construídas, o aluguel, as bênçãos que, segundo ele, não pararam mais. "Faz 30 anos que estou desfrutando essa bênção. Não faltou mais nada."

Gravação, estúdio e a promessa cumprida de um homem que "pensaria bem" a seu respeito

A carreira musical formal começou aos 40 anos — tarde para os padrões da indústria, cedo demais para encerrar o que veio a seguir. O dono de um estúdio de gravação, cujos ouvidos foram abertos pela esposa após vê-lo cantar numa igreja, chamou Ivonaldo para gravar sem cobrar nada. 

"Eu disse: como o senhor vai investir em mim se nem me conhece? Ele disse: com você não vou ter nenhum problema."
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Ivonaldo lembrou da promessa anterior: "Deus me disse que faria com que um homem pensasse bem ao meu respeito."

O primeiro álbum deu origem a uma série que se tornaria sua marca registrada: Cânticos de Sião, que chegou a dez volumes. Ao longo de 30 anos de carreira, seus hinos passaram a ser cantados por crianças, jovens, adultos e idosos — uma amplitude de gerações que ele mesmo atribui não a um cálculo de mercado, mas ao que a fé permite alcançar.

28 países e a primeira viagem: Israel, Egito e Jordânia de uma vez

A promessa de que Deus o levaria a muitas nações começou a se cumprir quando Ivonaldo ouviu alguém relatar uma viagem ao Mar da Galileia — dois barcos que se cruzaram, cada um falando em língua estranha, um "fogo cruzado de louvor" no coração do Israel bíblico. Aquilo despertou nele uma determinação que não parou mais.

A primeira viagem internacional levou Ivonaldo a três países de uma só vez: Israel, Egito e Jordânia. Depois, a Itália. Depois, não parou mais. Hoje, o cantor soma visitas a 28 países, incluindo Portugal — onde cantou em Porto, Braga e Lisboa durante um cruzeiro que incluiu trechos da África e da Europa.
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Os próximos destinos já estão na mira: Inglaterra e Escócia, que ele pretende visitar juntos, aproveitando a proximidade geográfica. Há ainda um projeto em curso, aguardando confirmação de uma agência de caravanas, que incluiria Marrocos e África do Sul — onde, segundo Ivonaldo, já existe congregação da Assembleia de Deus. "Vai ser bênção", disse, com a mesma serenidade de quem já aprendeu que as promessas têm hora para chegar.

As homenagens: o que disseram sobre Ivonaldo quem o conhece de perto
A cantora Wayne Alyne reconheceu a simplicidade do canto.

O programa reservou um bloco especial para homenagens em vídeo. Cantores, amigos e família falaram sobre Ivonaldo com uma consistência de palavras que chamou atenção: humildade e dedicação foram os termos que mais se repetiram — não como elogio protocolar, mas como descrição de comportamento observado ao longo de anos.
Cantora Rute Dayane

A cantora Rute Dayane foi direta: "Eu resumo irmão Ivonaldo em uma palavra: humildade. E vou acrescentar mais uma: dedicação. É um homem que por onde passa deixa um lindo testemunho. Ele não é uma coisa aqui e outra coisa ali. A minha casa ama o Senhor e eu tenho muito orgulho de dizer que o Senhor faz parte da minha família."
Cantor Jair Santos

O amigo e cantor Jair Santos destacou a autenticidade que tornou o sucesso inevitável: "Ivonaldo é um homem escolhido por Deus para o louvor pentecostal no Brasil. Ele tem um jeito único, é autêntico na sua simplicidade, na sua forma de cantar. Se identificou muito com o povo pentecostal. E o sucesso era inevitável."
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Mas foram as palavras da família que mais emocionaram o programa. O filho Daniel foi ao ponto com a simplicidade de quem não precisa de discurso: "Meu pai é carinhoso, humilde ao extremo — é uma coisa absurda — e não se apega a nada nesse mundo. Só tenho a dizer que a gente o ama muito, de verdade. Painho, estamos junto."

A neta Alice encerrou com a síntese que talvez seja a mais emocionante de todas: "Meu avô é uma pessoa muito boa, simpática, que gosta das pessoas, gosta de agradar as pessoas, gosta de ver todo mundo alegre com a presença dele. Isso o torna uma pessoa muito boa, muito incrível, maravilhosa."
O filho Daniel e a neta Alice.

Ivonaldo respondeu sobre a neta com uma ternura que dispensava elaboração: "Quando eu tô com qualquer problema e ela chega, muda tudo. Ela chega e cura — depois de Jesus."

O vaso de alabastro e o que ele representa

Na "Caixa das Lembranças" — quadro fixo do Lição de Vida —, Ivonaldo trouxe um vaso de alabastro trazido de Israel. Não é um objeto raro para quem já esteve lá, mas a escolha diz algo: "O valioso não é tanto o vaso. É o que estava dentro do vaso." A referência bíblica à mulher que ungiu Jesus com perfume precioso guardado num alabastro não precisou de explicação para quem entende o peso daquele gesto.
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"Esta noite escura vai passar"

Ao final do programa, Talita Belo pediu que Ivonaldo cantasse um trecho. Ele escolheu o refrão que talvez resuma toda a sua trajetória melhor do que qualquer biografia poderia:
"Essa noite escura vai passar / O sol da vitória vai raiar / O choro dura uma noite / Mas pela manhã, a vitória virá."

Para quem dormiu no chão de um cortiço em Recife aos 14 anos, foi sustentado por um pé de azeitona e hoje canta em 28 países, essas palavras não são metáfora. São relato.

Assista ao vídeo completo:
Fonte: JASB com informações da Rede Brasil de Comunicação.
Edição Geral: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br. 
Encaminhamento de denúncia ao JASB: Acesse aqui.
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