Header Ads


COVID-19: os US$ 100 milhões que os líderes da Pfizer, BioNTech e Moderna receberam pelas vacinas.

           US$ 100 milhões para três executivos: quanto cada líder das vacinas de mRNA embolsou durante a pandemia.   —  Foto: JASB.
 
COVID-19: os US$ 100 milhões que os líderes da Pfizer, BioNTech e Moderna receberam pelas vacinas.
Publicado no JASB em 26.julho.2026. Atualizado em 27.julho.2026.

WhatsApp: Grupos Estaduais Albert Bourla, Ugur Sahin e Stéphane Bancel: os rostos e os ganhos por trás das vacinas mais lucrativas da história.
--
-ad4
O sucesso das vacinas também foi muito bom para os executivos

Enquanto os governos negociavam bilhões em contratos de emergência para garantir doses contra a COVID-19, os presidentes executivos das três principais fabricantes de vacinas de mRNA viam sua remuneração disparar. 

Segundo levantamento do Financial Times, Albert Bourla (Pfizer), Ugur Sahin (BioNTech) e Stéphane Bancel (Moderna) obtiveram em conjunto uma remuneração de aproximadamente US$ 100 milhões — cerca de 90,8 milhões de euros — durante a pandemia, refletindo em grande parte a valorização das opções sobre ações que compõem o pacote de remuneração variável dos executivos.
--
-ad5
Albert Bourla: o CEO mais bem pago do trio

O maior beneficiário individual foi Albert Bourla, presidente executivo da Pfizer. Sua remuneração total somou US$ 45,3 milhões no período 2020-2021 — acima dos US$ 27,7 milhões que havia recebido nos dois anos anteriores, entre 2018 e 2019. 

A valorização acompanhou o desempenho financeiro da empresa: a Pfizer vendeu US$ 36,7 bilhões de sua vacina contra a COVID-19 somente em 2021, representando 45% da receita total anual da companhia, que atingiu US$ 81,2 bilhões naquele ano.

Ugur Sahin: do laboratório alemão à remuneração milionária

O cofundador e CEO da BioNTech, Ugur Sahin, recebeu US$ 30,8 milhões no período 2020-2021, comparados a US$ 8,5 milhões nos dois anos anteriores à pandemia. 
--
-ad9
O crescimento de mais de 260% na remuneração acompanha a trajetória da própria empresa: a BioNTech era um laboratório de biotecnologia relativamente desconhecido antes da pandemia e se tornou uma das empresas mais valiosas da Europa após o sucesso da vacina desenvolvida em parceria com a Pfizer, cujas receitas conjuntas atingiram US$ 37,5 bilhões em 2021.

Stéphane Bancel: o caso mais complexo do trio

A remuneração de Stéphane Bancel, CEO da Moderna, apresenta uma particularidade que merece atenção. Sua remuneração total de US$ 31,1 milhões em 2020-2021 foi, na verdade, inferior ao que havia recebido nos dois anos anteriores — US$ 67,5 milhões em 2018-2019. 
           No caso das três empresas, as ações saltaram de forma expressiva: entre janeiro de 2020 e meados de 2021, as ações da Moderna valorizaram mais de 700%.   —  Foto/Ilustrativa/JASB.

A explicação está na composição dos ganhos: o período anterior havia incluído um ganho extraordinário de US$ 58,6 milhões com opções sobre ações vinculadas à entrada em bolsa da empresa em 2018. Excluído esse efeito pontual, o crescimento real da remuneração de Bancel durante a pandemia foi expressivo. 

A Moderna, que era seu único produto comercialmente disponível em 2021, gerou US$ 17,7 bilhões em vendas — e passou de um prejuízo líquido de US$ 747 milhões em 2020 para um lucro de US$ 12,2 bilhões em 2021.

O mecanismo que explica os ganhos: opções sobre ações

A remuneração variável por opções sobre ações funciona da seguinte forma: o executivo recebe o direito de comprar ações da empresa por um preço fixado previamente. Quando o valor das ações dispara — como ocorreu com as três empresas durante a pandemia —, o ganho é a diferença entre o preço de exercício e o valor de mercado. 
--
-ad7
Quanto maior a valorização, maior o lucro do executivo. No caso das três empresas, as ações saltaram de forma expressiva: entre janeiro de 2020 e meados de 2021, as ações da Moderna valorizaram mais de 700%, enquanto as da BioNTech subiram mais de 400%. A Pfizer teve crescimento mais modesto em bolsa, mas compensou com dividendos e volume de vendas sem precedentes.

O outro lado do cálculo: financiamento público, lucro privado

O contexto dos ganhos dos executivos é ainda mais relevante quando se considera que parte substancial da pesquisa que tornou as vacinas possíveis foi financiada com dinheiro público

A BioNTech recebeu ao todo US$ 800 milhões em fundos públicos — sendo US$ 434 milhões do governo alemão, US$ 116 milhões da União Europeia e US$ 250 milhões de Singapura. A Moderna recebeu financiamento significativo de agências do governo americano para o desenvolvimento de sua plataforma de mRNA. 

Apesar disso, nenhuma das três empresas transferiu sua tecnologia de produção aos países de renda média e baixa por meio da Organização Mundial da Saúde, uma posição que foi criticada por organizações de saúde global ao longo de toda a pandemia.
-
-10
O debate que os números reacendem

Os US$ 100 milhões distribuídos entre três executivos em dois anos de pandemia não violam nenhuma lei. Refletem contratos firmados com conselhos de administração e aprovados pelas estruturas corporativas de cada empresa. 

Mas colocam em perspectiva uma questão que as guerras de patentes em curso nos tribunais americanos e europeus tornam ainda mais urgente: quando tecnologias desenvolvidas com dinheiro público geram lucros privados de escala histórica, qual é o limite razoável entre o incentivo à inovação e a responsabilidade social de quem produz saúde pública em escala global? Essa pergunta não tem resposta simples — mas os números da pandemia tornaram impossível ignorá-la.

Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br. 
Edição Geral: JASB.
Encaminhamento de denúncia ao JASB: Acesse aqui.
--
-ad9
O jornalismo do JASB.com.br precisa de você para continuar marcando ponto na vida das pessoas. Compartilhe as nossas notícias em suas redes sociais!
Tecnologia do Blogger.