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Ebola sem vacina e sem tratamento: o surto que forçou a OMS a acionar o mais alto nível de alerta global pela nona vez na história.

           Um funcionário de um Hospital verifica a temperatura de uma visitante com um termômetro infravermelho sem contato.   —  Foto ilustrativa/JASB.
 
Ebola sem vacina e sem tratamento: o surto que forçou a OMS a acionar o mais alto nível de alerta global pela nona vez na história.
Publicado no JASB em 18.maio.2026. Atualizado em 19.maio.2026.

WhatsApp: Grupos Estaduais Na tarde de domingo (17), a Organização Mundial da Saúde (OMS) ativou o segundo nível mais alto do Regulamento Sanitário Internacional diante de um surto de Ebola que já registra 80 mortes e 246 casos suspeitos na República Democrática do Congo.
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O elemento que torna este surto diferente dos anteriores não é apenas o número de mortos — é a cepa. E para ela, não existe vacina nem tratamento.

A cepa que ninguém esperava e que ninguém sabe tratar

"A cepa Bundibugyo não tem vacina nem tratamento específico", afirmou o ministro da Saúde da República Democrática do Congo, Samuel-Roger Kamba. 

"Essa cepa possui uma taxa de mortalidade muito alta, que pode chegar a 50%." Este é apenas o terceiro surto detectado envolvendo a cepa Bundibugyo, após episódios anteriores em Uganda entre 2007 e 2008, e na própria RDC em 2012, segundo os Médicos Sem Fronteiras
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As vacinas contra o Ebola existentes são eficazes apenas contra a cepa Zaire do vírus, responsável pelas maiores epidemias já registradas. Sem imunizante e sem protocolo terapêutico aprovado, o controle da doença depende exclusivamente de isolamento, rastreamento de contatos e barreiras sanitárias nas fronteiras. 


Os números do surto e o que ainda está oculto

Até 16 de maio de 2026, foram relatados oito casos confirmados em laboratório, 246 casos suspeitos e 80 óbitos suspeitos na província de Ituri, na República Democrática do Congo, em pelo menos três zonas de saúde: Bunia, Rwampara e Mongbwalu. Segundo autoridades sanitárias, os números podem estar subestimados devido à falta de testes em áreas remotas. O vírus já cruzou fronteiras
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Dois casos confirmados em laboratório, incluindo um óbito, foram relatados em Kampala, Uganda, com 24 horas de diferença, nos dias 15 e 16 de maio de 2026, em indivíduos que viajaram da República Democrática do Congo. Pelo menos quatro óbitos entre profissionais de saúde foram relatados na área afetada em contexto clínico sugestivo de febre hemorrágica viral. 
           Vírus ebola.   —  Foto: JASB.

As outras vezes em que o mundo chegou a este nível de alerta

A declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional — conhecida pela sigla em inglês PHEIC — é o instrumento máximo de alerta da OMS com base no Regulamento Sanitário Internacional, criado em 2005. O atual surto de Ebola representa a nona vez que o mecanismo foi acionado. Os casos anteriores foram:

💠 2009 — Influenza H1N1 (gripe suína), primeiro uso do mecanismo desde sua criação;

💠 2014 — Ebola, surto na África Ocidental que afetou Guiné, Libéria e Serra Leoa;

💠 2014 — Poliomielite, que segue em status de emergência internacional desde então;

💠 2016 — Vírus Zika, associado a casos de microcefalia e distúrbios neurológicos no Brasil;

💠 2019 — Ebola novamente, surto na própria República Democrática do Congo;
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💠 2020 — Covid-19, que evoluiu para pandemia e encerrou a emergência somente em 2023;

💠 2022 — Mpox (varíola dos macacos), encerrada em 2023;

💠 2024 — Mpox novamente, pela segunda vez, após surgimento de nova variante mais letal.

A declaração é considerada o mais alto nível de alarme na legislação sanitária internacional vigente.

O que este surto tem de diferente dos anteriores

A infectologista Carla Kobayashi, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que o alerta está ligado tanto ao número de casos quanto à expansão geográfica

"Já temos um número considerável de mortes e casos fora da região inicial, o que aumenta a preocupação. Além disso, é um subtipo que não era o foco das vacinas em desenvolvimento", afirma. O contexto geográfico agrava o cenário
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O surto ocorre em uma área com alta circulação de pessoas, atividades de mineração e deslocamentos internos — fatores que, segundo a OMS, elevam o risco de transmissão. Os países vizinhos que compartilham fronteiras terrestres com a RDC são considerados de alto risco para maior propagação devido à mobilidade populacional, às ligações comerciais e de viagens e à incerteza epidemiológica contínua. 

O risco para o Brasil e o que os especialistas dizem

A infectologista Carla Kobayashi destaca que o risco de disseminação global continua baixo. 

"Quando a OMS emite um alerta, os países passam a reforçar a vigilância, o que permite identificar casos suspeitos, monitorar contatos e evitar que o vírus se espalhe." 

Sem tratamento específico aprovado para a variante Bundibugyo, o cuidado se baseia principalmente em suporte clínico, com hidratação, controle de sintomas e acompanhamento intensivo. O atendimento precoce é um dos fatores que aumentam as chances de sobrevivência. 
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O Brasil não registra casos suspeitos e não integra a lista de países considerados de alto risco pela OMS — que neste momento concentra atenção nos vizinhos terrestres da República Democrática do Congo na África Oriental.

O que a história dos alertas máximos ensina sobre o presente

Cada uma das nove declarações de emergência global da OMS começou com um foco geográfico restrito e uma pergunta sem resposta certa: isso vai se expandir? Com o Ebola Bundibugyo, a pergunta volta com peso adicional — porque desta vez não há vacina para distribuir, não há protocolo terapêutico aprovado para escalar e o vírus já está em dois países

Nas últimas cinco décadas, o Ebola provocou quase 15 mil mortes em países africanos, mesmo com avanços recentes em tratamentos e estratégias de contenção. O atual surto é o 17º na República Democrática do Congo desde 1976 — e o primeiro em que a cepa em circulação deixa o mundo sem a rede de proteção que levou anos para ser construída contra as versões anteriores do vírus. 


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Autor: Samuel Camêlo
Fonte: JASB - Jornal dos Agentes de Saúde do Brasil - www.jasb.com.br
Edição Geral:  JASB
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