Acordo histórico: governo e Câmara selam o fim da escala 6x1 e abrem caminho para a semana de trabalho de 40 horas no Brasil.
Acordo histórico: governo e Câmara selam o fim da escala 6x1 e abrem caminho para a semana de trabalho de 40 horas no Brasil
WhatsApp: Grupos Estaduais | Na quarta-feira (13), ministros do governo Lula e lideranças da Câmara dos Deputados chegaram ao entendimento que pode mudar a rotina de dezenas de milhões de trabalhadores brasileiros: a escala 6x1 tem prazo para acabar.
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O acordo foi celebrado, mas a votação final ainda não ocorreu — e o caminho legislativo exige atenção.
O que foi acordado e o que ainda precisa acontecer
Na manhã de 13 de maio de 2026, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), reuniu-se com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, para selar um entendimento sobre o formato da Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6x1.
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O acordo definiu que a PEC adotará jornada semanal de 40 horas, com dois dias de descanso remunerado na escala 5x2, sem qualquer redução salarial. Em paralelo, o governo enviou com urgência constitucional o Projeto de Lei nº 1.838/2026, que trata da mesma medida por via infraconstitucional e pode tramitar mais rapidamente.
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Apesar do avanço, nenhuma votação definitiva aconteceu até o fechamento desta edição — o que vale, por ora, ainda é a jornada de 44 horas semanais estabelecida pela Constituição.
O que muda para os trabalhadores se a proposta for aprovada
A mudança mais imediata para quem hoje cumpre a escala 6x1 seria a garantia de dois dias consecutivos de descanso por semana, sem desconto em folha. A redução de 44 para 40 horas semanais não representa diminuição de salário: esse ponto foi tratado como inegociável no acordo firmado entre governo e Câmara.
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Entre os impactos mais esperados pelos defensores da proposta estão:
💠 Dois dias de descanso remunerado garantidos por semana, na escala 5x2;
💠 Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial;
💠 Fortalecimento das convenções coletivas para tratar das especificidades de cada setor;
💠Entrada em vigor imediata após aprovação, sem período de transição, conforme defendido pelo governo;
💠Aplicação às relações de trabalho regidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), excluindo servidores públicos, autônomos e trabalhadores informais.
A proposta afetaria diretamente os cerca de 31,7 milhões de trabalhadores/as que hoje operam sob a escala 6x1 em setores como comércio, alimentação, hotelaria e serviços.
O debate econômico: quem ganha e quem teme
A proposta divide opiniões com intensidade. De um lado, defensores apontam que a última grande redução da jornada no Brasil — de 48 para 44 horas, em 1988 — não gerou colapso econômico e ainda contribuiu para a formalização do emprego no longo prazo.
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O deputado Reginaldo Lopes (MG), autor de uma das PECs, argumenta que a medida pode reduzir em até 30% o contingente de trabalhadores informais. Do outro lado, a Confederação Nacional da Indústria projeta elevação média de 6,2% nos preços ao consumidor e perda de até R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estima aumento de 7,14% a 15,32% no custo da hora trabalhada — variação que, segundo os pesquisadores, seria comparável a reajustes do salário mínimo já absorvidos pelo mercado sem maiores traumas.
O cronograma e o que falta para a votação
A comissão especial instalada na Câmara, presidida pelo deputado Alencar Santana (SP) e com relatoria do deputado Leo Prates (BA), apresentou cronograma com previsão de encerramento dos trabalhos até 27 de maio. O plano previu cinco audiências públicas em diferentes regiões do país ao longo de maio, com representantes de trabalhadores e do setor empresarial.
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O relator Leo Prates sinalizou intenção de apresentar o texto final no dia 20, submetê-lo à comissão no dia 26 e levá-lo ao plenário da Câmara no dia seguinte. Após aprovação em dois turnos na Câmara, a proposta ainda precisaria passar pelo Senado — onde o senador Paulo Paim (RS) já apresentou PEC semelhante, aprovada na CCJ daquela Casa, o que pode facilitar a tramitação.
Quem fica de fora: as exceções previstas na proposta
Mesmo que a PEC seja aprovada integralmente, uma parcela significativa da força de trabalho brasileira não será diretamente afetada pelas novas regras.
A aplicação se restringiria aos trabalhadores celetistas — aqueles com carteira assinada regida pela CLT. Ficam fora do escopo imediato profissionais de saúde essencial, como médicos e enfermeiros, além de trabalhadores de telecomunicações e outros setores que operam em regime de continuidade obrigatória.
Também não seriam alcançados servidores públicos, trabalhadores informais, autônomos e prestadores de serviço via Pessoa Jurídica. Para essas categorias, as convenções coletivas e normas específicas de cada setor continuariam sendo o instrumento central de definição das condições de trabalho.
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O Brasil em perspectiva: uma mudança que já aconteceu em outros países
Se aprovada ainda neste semestre, conforme defendido pelo governo, a redução da jornada colocaria o Brasil ao lado de México, Colômbia e Chile entre os países latino-americanos que atualizaram seus limites de carga horária semanal na última década.
O movimento não é isolado: ao redor do mundo, o debate sobre a semana de trabalho mais curta ganhou força com evidências de aumento de produtividade e melhora na saúde mental dos trabalhadores.
No Brasil, o tema mobilizou as ruas no Dia do Trabalhador de 2026 e acumula apoio de mais de 70% da população segundo pesquisas recentes. O que a história das reformas trabalhistas anteriores ensina é que o impacto real de uma mudança estrutural raramente se confirma nos extremos do debate — nem o colapso anunciado pelos críticos, nem a utopia prometida pelos entusiastas.
Autor: Samuel Camêlo
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